Hérnia de disco: Pequena parte da população deve recorrer à cirurgia

A hérnia de disco se dá pelo desgaste ou trauma dos discos vertebrais lombares ou cervicais

A hérnia de disco se dá pelo desgaste ou trauma dos discos vertebrais lombares ou cervicais

A coluna é o alicerce do corpo humano, sofrendo constantes impactos e alterações que podem evoluir para doenças incapacitantes. Uma delas é a hérnia de disco, doença que afeta 5,4 milhões de brasileiros, segundo o IBGE. Mas ao contrário do que a maioria da população pensa, poucos casos merecem indicação de cirurgia corretiva, graças ao amadurecimento e a melhor adesão ao tratamento multidisciplinar e o avanço dos conhecimentos científicos da área.

De acordo com o neurocirurgião especialista em coluna pela Unifesp, dr. Alexandre Elias, “a hérnia de disco se dá pelo desgaste ou trauma dos discos vertebrais lombares ou cervicais, que acabam por apertar as raízes nervosas que passam próximas a eles. Além da genética e envelhecimento, exercícios físicos intensos, praticados por profissionais ou atletas de finais de semana, também podem favorecer o aparecimento do problema”. A disfunção é uma das grandes responsáveis pela dor crônica nas costas, pernas e braços. Quando permanece por longo tempo, interfere na qualidade de vida e limita atividades simples do dia-a-dia.

O especialista explica que em 90% dos casos a doença é bem controlada com medicamentos anti-inflamatórios, fisioterapia e eventuais infiltrações. “Apenas os pacientes graves, que não apresentam melhora da dor com os tratamentos conservadores ou os que desenvolveram alterações no exame neurológico, como fraqueza nos braços, nas pernas ou dificuldade para urinar ou evacuar é que possuem indicação para a cirurgia”, relata.

Nestes casos, a técnica normalmente empregada é a minimamente invasiva, em que são feitos pequenos cortes na pele e no músculo, permitindo remover a hérnia com o auxílio de um microscópio e/ ou endoscópio. Alguns pacientes podem necessitar de cirurgias maiores, com o uso de parafusos na coluna – esta técnica também pode ser minimamente invasiva. Porém, apenas a remoção da hérnia é suficiente, na extrema maioria dos casos.

Os procedimentos minimamente invasivos podem trazer mais benefícios para o paciente, já que há incisões mínimas e menor manipulação de músculos, possibilitando menos dor pós-operatória e recuperação mais rápida. Importante ressaltar que nem todos os pacientes podem ser submetidos a esta técnica – a indicação irá depender do estágio e condições da doença.

As intervenções cirúrgicas oferecem sucesso em 95% dos casos e os pacientes podem sair da cama horas após o procedimento, diferentemente do que ocorria no passado, quando se preconizavam longos períodos de repouso na cama.

Apesar da hérnia de disco estar na coluna, muitas vezes a dor que mais incapacita o paciente é a irradiada para o membro inferior com formigamento, nos casos lombares. Nos pacientes com hérnia cervical (no pescoço), a dor se irradia para o membro superior, também associada a formigamentos.

Sentir dor, apesar do incômodo, é um benefício, pois o corpo nos avisa que algo está errado e, portanto, devemos procurar a ajuda de um médico.

Vale a pena lembrar que, à medida que envelhecemos, a coluna também envelhece. Portanto, é natural encontrar alterações nos exames de imagem, que não necessariamente são a causa de alguma dor referida pelo paciente. Uma das principais funções do especialista em coluna é estabelecer uma relação de causas e efeitos entre os sintomas do paciente e as alterações encontradas nos exames de imagem.

Fonte: Blog da Saúde

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