Conheça os problemas que podem afetar a tireoide

Disfunções na glândula que regula o metabolismo podem afetar nossa saúde

Disfunções na glândula que regula o metabolismo podem afetar nossa saúde

A Fundação da Tireoide do Canadá estima que 200 milhões de pessoas sofrem com problemas de tireóide no mundo. Responsável pela produção de hormônios essenciais ao nosso metabolismo, a glândula pode ser fonte de problemas de saúde quando está desregulada. A tireóide, que fica situada na região anterior do pescoço, produz os hormônios T4 e T3, a partir do iodo, cuja fonte principal é o sal. Quem comanda a fabricação de T4 e T3 na tiróide é o TSH (sigla em inglês para Hormônio Estimulador da Tireóide), produzido pela glândula hipófise.

— Os hormônios da tireoide têm a função de manter a velocidade de funcionamento habitual da pessoa, de todos os seus órgãos, aparelhos e sistemas. Quando há falta de hormônio a velocidade do metabolismo corporal ficará mais lenta e, quando em excesso, o metabolismo corporal ficará mais rápido — explica o endocrinologista João José Schaefer.

Problemas de tireoide podem afetar pessoas de todas as idades, até mesmo recém-nascidos (o teste do pezinho pode diagnosticar hipotireoidismo neonatal). Como existe predisposição hereditária para o desenvolvimento de disfunções da glândula, é importante ficar atento para casos na família. Os principais problemas apresentados pela glândula são o hipertireoidismo e o hipotireoidismo.

Hipertireoidismo

O hipertireoidismo é provocado pelo excesso de hormônios da tireoide. A causa mais comum de hipertireoidismo é a chamada Doença de Graves, quando ocorre estimulação exagerada da tireóide pelo próprio sistema imunológico da pessoa.

— Também um nódulo de tireoide hiperfuncionante e a tireoidite viral são causas, menos comuns — completa o médico.

Alguns sintomas de hipertireoidismo são agitação, nervosismo, insônia, batimento do coração acelerado (taquicardia), palpitação do coração, tremor das mãos e dedos, suor aumentado, calor, cansaço, fraqueza e aumento do apetite com emagrecimento. Alguns podem ter ‘olhos saltados’. Os exames para diagnóstico são laboratoriais (TSH, T4 livre, anticorpos), de imagem, ultrasom e cintilografia/mapeamento.

— Os exames deverão ser solicitados e interpretados por médicos, preferencialmente endocrinologistas — alerta João José.

O tratamento do hipertireoidismo depende da causa e pode envolver medicação bloqueadora da tireóide e iodo radioativo. A intervenção cirúrgica é menos indicada atualmente. A tireoidite viral é tratada com antiinflamatórios.

O hipotireoidismo pode causar cansaço Foto: Divulgação, stock.xchng

O hipotireoidismo pode causar cansaço Foto: Divulgação, stock.xchng

Hipotireoidismo

O hipotireoidismo, a enfermidade mais comum da tireoide, é a diminuição ou ausência de hormônios produzidos pela glândula. A causa mais comum é a inflamação crônica autoimunológica conhecida como Tireoidite de Hashimoto, quando o próprio sistema de defesa bloqueia a tireóide.

Alguns sintomas de hipotireoidismo são apatia, desânimo, cansaço, sonolência (pode parecer com depressão), ressecamento geral (pele seca, cabelo seco), unha fraca, intestino lento, apatia alimentar com ganho de pouco peso por inchaço (edema), frio aumentado, batimento cardíaco reduzido, entre outros.

Os exames mais importantes para diagnóstico são o TSH e T4 livre, porém a consulta clínica e interpretação dos exames pelo endocrinologista é fundamental. O resultado do exame pode ser aparentemente normal e a pessoa apresentar manifestação clínica de hipotireoidismo.

— O tratamento é a reposição permanente ou diária de hormônio da tireóide (comprimido matinal). Não há contra-indicação ou efeitos colaterais para o uso (que é obrigatório) do hormônio da tireóide — explica.

Outras doenças da tireóide comuns são os nódulos, também chamados de bócio. Os nódulos de tireóide são comuns na população e a grande maioria deles (90-95%) são benignos.

O auto-exame (palpação e visualização do pescoço) pode ser feita pela própria pessoa mas a consulta médica deve ser realizada para exame de palpação e, se necessário, solicitação de ultrasom de tireóide que detecta nódulos pequenos e mostra características na imagem para suspeita de nódulo maligno ou benigno.

— Os nódulos benignos comumente não são operados, exceto os maiores. Alguns podem receber injeção de álcool etanol para reduzir o tamanho. Na suspeita de nódulo maligno poderá ser feita uma biópsia para diagnóstico.

— A interpretação do resultado deverá ser feita pelo médico — esclarece o médico.

Câncer de tireóide

O câncer de tireóide é o nódulo maligno. A grande maioria deles tem bons prognósticos, desde que tratados adequadamente.

— É raro alguém morrer de câncer de tireóide, o que pode acontecer quando diagnosticado muito tarde ou se for dos raros tipos muito agressivos e de difícil tratamento — completa.

A cirurgia é o principal tratamento, com a retirada total da tiróide. A cirurgia é geralmente feita por cirurgiões de cabeça e pescoço. Cirurgiões gerais também podem fazer o procedimento.

Após a cirurgia o paciente receberá dose de iodo radioativo para extirpar restos de tecido tireoidiano deixado no local da cirurgia. Receber iodo não significa maior gravidade do câncer, extinguir os restos cirúrgicos é necessário para interpretar exames futuros. Inicia-se então a reposição hormonal permanente como no hipotireoidismo, com dose própria para operados de nódulo maligno.

O médico enfatiza e aconselha que as enfermidades da tireóide devem ser acompanhadas por toda vida e a periodicidade das consultas é variável dependendo da enfermidade e do paciente.

Habitualmente, pacientes com hipotireoidismo podem fazer consultas de seis em seis meses ou antes, se necessário ajuste de dose. A tireoidite subaguda viral também requer consultas em curtos períodos e o tratamento dura em média três meses. Pacientes que tiveram câncer de tireóide e tiveram a glândula removida podem consultar de seis em seis meses. Em caso de nódulos benignos, é recomenda a consulta uma vez por ano.

Fonte: HAGAH SC

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