Você sabe o que acontece ao seu corpo quando toma refrigerante?

Refrigerante é a bebida mais pedida em lanchonetes e restaurantes.

Refrigerante é a bebida mais pedida em lanchonetes e restaurantes.

Todos os dias, é a mesma coisa. Vai se aproximando a hora do almoço e o trailler de Elaine Costa enche de jovens famintos, à procura de um lanche rápido, prático e barato. Com uma localização privilegiada no Centro de Natal, o lugar é geralmente frequentado por estudantes de escolas próximas.

No cardápio, salgados, sanduíches, sucos e refrigerantes, alimentos que, comprovadamente, fazem parte da dieta de um número cada vez maior de jovens no Brasil e no mundo.

Entre os sanduíches, ingredientes para todos os gostos. Dos tradicionais hambúrgueres, aos refinados beirutes com recheios dos mais variados. Entre as bebidas, sucos de fruta e os refrigerantes, campeões entre os pedidos.

De acordo com Elaine, dificilmente um jovem pede um suco em seu trailler. “O refrigerante tem uma saída maior, principalmente entre os estudantes”, destacou.

E essa não é uma particularidade dos jovens natalenses. Segundo pesquisa divulgada em abril pelo Ministério da Saúde, o número de brasileiros que consomem regularmente refrigerantes e sucos artificiais aumentou 13,4% em apenas um ano.

Em 2008, 24,6% da população fazia uso da bebida cinco ou mais vezes na semana. Ano passado, esse percentual subiu para 27,9%, o que, segundo a coordenadora-geral de Doenças e Agravos Não-Transmissíveis do MS, Deborah Malta, representa um dado preocupante, sobretudo pela velocidade do crescimento.

Que refrigerante não faz bem à saúde, isso todo mundo sabe. Refrigerantes estão muito associados a obesidade. A bebida, além de alto teor de açúcar, apresenta altas taxas de sódio, o que aumenta o risco para hipertensão e de problemas renais. Mas, afinal, qual o efeito da substância no organismo humano?

Com a palavra, o especialista. O Professor Da Faculdade de Educação Física da Universidade Federal do Mato Grosso, Dr. Carlos Alexandre Fett, estudou as respostas do organismo de um ser humano após a ingestão de refrigerante. Com base na pesquisa, ele elaborou um cronograma que mostra, passo-a-passo, o que acontece logo após uma pessoa tomar a bebida. Confira abaixo:

E os malefícios do consumo exagerado de refrigerantes não param por aí. A bebida agrava quadros de gastrite e flatulência (gases), além de aumentar os níveis de colesterol. É responsável também por uma maior incidência de cáries – dependendo da sensibilidade e predisposição de cada indivíduo – e erosão dental, processo caracterizado pela perda do tecido duro da superfície dos dentes.

Pesquisas recentes revelam que o refrigerante não dietético aumenta em 80% o risco de diabetes. De acordo com estes estudos, o risco de desenvolver a doença chega a quase dobrar nas pessoas que consomem este tipo de bebida pelo menos uma vez por dia. Os refrigerantes também aumentam os riscos de câncer no esôfago.

Controvérsia
Líder mundial em venda de refrigerante, a gigante Coca-Cola disponibiliza, em seu site, um espaço intitulado Boatos e Mitos, onde se propõe a esclarecer alguns pontos sobre o consumo da bebida mais famosa no mundo.

Em uma das abas, a empresa afirma que “o consumo de refrigerantes, inclusive refrigerantes de cola, não causa osteoporose”. Segundo ela, a Sociedade Nacional de Osteoporose dos E.U.A. esclarece que as medidas preventivas mais importantes para prevenção da osteoporose são o consumo de quantidades adequadas (no mínimo 1 g de cálcio por dia para um adulto) de alimentos ricos em cálcio (exemplos: leite e seus derivados), exercício físico regular, não fumar e reduzir o consumo de bebidas alcoólicas.

A empresa diz ainda que evidências científicas não confirmam que o fosfato, usado na forma de ácido fosfórico em alguns refrigerantes, possui efeito negativo na saúde óssea. De qualquer forma, segundo ela, refrigerantes de cola fornecem apenas 3% do total de fósforo consumido em média pelas pessoas, sendo as maiores fontes desta substância as carnes, os cereais, o leite e seus subprodutos.

“Os consumidores podem continuar a consumir refrigerantes, sem excesso, como parte de uma dieta balanceada, na qual todos devem incluir o consumo mínimo de dois litros de líquidos por dia para manterem-se adequadamente hidratados”, garante.

O fato é que, controvérsias à parte, nenhum alimento em excesso faz bem para saúde. Neste ponto, continua valendo a lei universal de uma dieta equilibrada e diversificada.

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